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2 de abril de 2018


"Nós somos mulheres fortes e independentes de vários tamanhos, formas e desenhos"

Esse é um trecho da descrição no site oficial sobre quem são as mulheres que representam a PMM mas afinal, o que é ser parte da PinkMinkMafia? Como surgiu? Pra que serve?

Brasileiras da PMM – Pink Mink Mafia

Essas perguntas serão respondidas a seguir mas antes vamos te contar um pouquinho da história.
A PMM foi fundada em 2006 em Los Angeles dentro da comunidade latina da Califórnia. Por nascer dentro da subcultura chola, dela tirou inspiração e criou o estilo RockAChola.
Mas o que é o estilo de vida chola? — você pergunta. Bom, antes vamos falar de um estilo que veio antes desse, o estilo pachuco.

Foi durante a década de 40 (Segunda Guerra) que os pachucos e pachucas surgiam nas ruas de Los Angeles numa época em que os EUA promoviam o patriotismo entre as classes brancas dominantes e claro, os americanos descendentes de mexicanos (e negros) não se encaixavam nesses padrões. A tensão racial era enorme com qualquer um que fosse diferente desse padrão.

Como forma de contestação e rejeição as idéias impostas nesse período, surgiram os pachucos, com chapéu estilo gangster com uma grande pena na lateral, sapatos bicolores e com seus zoot suit (que é aquela roupa amarela que o Maskára, personagem de Jim Carey usa no filme, lembra?). O terno era o maior causador de problemas para os pachucos e os mantinham ainda mais na marginalização: para fazer a roupa era necessário uma grande quantidade de tecido, o que era proibido durante a guerra, época de racionamento. Os pachucos foram então considerados anti-patrióticos. As pachucas usavam maquiagem pesada, cabelos bufantes, saias acima do joelho e até ternos como os homens (na década de 40 as mulheres ainda não usavam calça comprida como vestimenta usual), iam a festas e entravam em brigas, algo inaceitável para a época.

América do Medo é um filme de 1981 que conta a história dos pachucos nessa época, você pode assistir no Youtube, clique aqui. Na Cidade do México há um clube chamado Salon Los Angeles onde toda terça-feira pachucos se reúnem para bailar, veja um vídeo aqui.
Pachucos e Cholas. À esquerda, cena do musical "Zoot Suit" de 1981, à direita foto do Tumblr de Tania García.

As cholas vieram depois, durante a década de 60 e 70 um período de muitas gangues em bairros pobres de imigrantes e trabalhadores (a palavra chola significa mestiço e é utilizada em outras culturas latinas como a boliviana, onde chola é a mulher que veste-se tradicionalmente, veja aqui - se você é de São Paulo, capital, pode ver muitas cholas bolivianas aos domingos na Feira Kantuta, conheça aqui, não deixe de provar uma deliciosa salteña - nos EUA a palavra cholo surgiu como gíria na década de 60 para designar o méxico-americano marginalizado).

Nessa época o visual pachuca foi adaptado para um mais moderno e mais acessível para os adolescentes que usavam peças de roupas baratas compradas em super mercados locais, como calças caqui, camisetas brancas, camisa xadrez, vestimenta comum da classe trabalhadora; as meninas regatas, brincos dourados, delineador, cabelos com topetes ou franjas endurecidos com spray, bocas marcadas com lápis escuro, correntes pesadas. A roupa mudou mas o orgulho de sua descendência, família, amigos e estilo não. A essência pachuca continuou.

Em 1993 foi lançado o filme Mi Vida Loca uma produção independente que conta a história real de duas adolescentes de origem hispânica que vivem em um bairro pobre de Los Angeles e que assumem o controle de uma gangue depois da morte do namorado. Tem o filme completo no Youtube com legenda em espanhol. Esse foi o primeiro filme da carreira de Salma Hayek (Frida) e tem a participação da banda Los Lobos (Desperado).

"Look at those tattooed girls
Walking down the street
They really don’t care of what you think"
— Cherry Rat e os Gatunos

Chegamos ao estilo RockAChola que misturou tudo isso com rockabilly, psychobilly, rock'n'roll, hip-hop porque sim, o estilo tem tudo a ver com a música (ou vice-versa) desde os tempos dos pachucos. O orgulho de fazer parte da família PMM é tão grande que uma ex-integrante, Cherry Rat, brasileira radicada em Las Vegas, compôs uma música chamada Rockachola Dolls, você pode ouvir aqui. Além da música, fazer parte de um estilo subcultural tem sua vestimenta característica é aqui que começa a história da Pink Mink Mafia.

Desde 2011 brasileiras representam a PMM


A PinkMinkMafia foi a primeira marca de roupa feminina a se transformar num grupo social, exclusivamente feminino, dentro da cultura chola, rockabilly, psychobilly, punkrock e rock and roll. Essa interação entre mulheres que compartilham a mesma visão positiva sobre a beleza, hoje é muito maior que a própria marca. São mulheres do mundo inteiro que se juntam ao grupo para promover sua individualidade e características comuns à maioria das mulheres que não fazem parte do ideal de beleza que vemos em revistas.

Elas se unem para afirmar o encanto de corpos de tamanhos e formas variadas, para colocar a mulher comum, a dona de casa, professora, mãe, tatuada, manicure, todas as mulheres no mesmo patamar das modelos de corpos padronizados e inalcançáveis: toda mulher é bonita, inteligente e sexy, muito sexy. Elas se juntam para provar que as mulheres podem tudo! E principalmente pra exaltar a mulher latina.

"PMM por mi vida"

Latina Vamp é a fundadora da PinkMinkMafia e de acordo com ela, fazer parte desse grupo é representar orgulhosamente um estilo de vida e apoiar a revolução para quebrar os moldes genéricos impostos pela socidade atual.

No Brasil (e em outros lugares do mundo como Japão e França) a PMM tem uma hierarquia com presidenta e vice-presidenta. Renata Pires (hoje desligada do grupo) foi a primeira PMM no Brasil e conheceu o grupo americano em 2009 pelo MySpace, dois anos depois em contato com a CEO da fundadora, Julie Palomino, passou a representar a PMM no país e recrutar outras mulheres.

A presidenta e vice, recrutam modelos através das redes sociais ou em eventos ligados ao meio, como exposições, festas, etc., como representantes cabe a elas orientar as novas integrantes sobre duas regras principais que devem ser seguidas por todas: união e respeito. Também organizam os ensaios fotográficos e contam com a ajuda das outras modelos e apoiadores para escolher local e tema dos ensaios.

As garotas PMM apoiam e tem o apoio de fotógrafos, artistas, músicos, clube de carros, bares, etc. que estão inseridos na cultura local, seguindo claro, esse lifestyle como o fotógrafo Ariclei Cordeiro que colabora com a PMM Brasil por acreditar em projetos inovadores e se sentir em família com as meninas, pra ele o grupo tem uma energia muito boa. Cleiton Teodoro outro apoiador do grupo também sente o clima família e admira a visão positiva das meninas, o apoio ao grupo vem também da identificação dele com lifestyle cholo. Além dos dois, outros supporters apoiam a crew com empréstimo de carros, organização de eventos beneficentes e idéias de ensaios fotográficos, são eles: Vebis Junior fotógrafo que já fez parte de um Moto Clube e entende a importância de irmandades como essa, Grilão DGL, Diorandi Nagao, Anne Oliveira, Valentim Medeiros Jr, entre outros. Quem tiver interesse em apoiar o grupo, basta entrar em contato pela página oficial no Facebook: Pink Mink Mafia Brasil.



Como se tornar uma modelo PMM?

Primeiro: você tem que se identificar com a proposta da PMM e isso é muito mais do que usar roupas no estilo chola, você tem que ter em mente que vai fazer parte de uma família e uma família se faz com união e respeito. E pra tudo funcionar é necessário comprometimento, você deve ter disponibilidade para estar junto com as outras modelos para ensaios fotográficos, para participar de encontros e eventos voltados a cultura low rider, hot rods e motorcycle que fazem parte da divulgação do grupo. As meninas garantem que são momentos muito divertidos. A maioria das PMMs vivem em São Paulo mas se você é de outro estado é muito bem vinda. O processo de seleção é simples, entre em contato através da página do grupo no Facebook para receber instruções. As candidatas passam primeiro por uma seleção e tornam-se Modelo Prospect e depois Modelos Oficiais.

Você também pode apoiar a PMM Brasil de várias maneiras bem simples: divulgue essa matéria para mais pessoas conhecerem o grupo, compartilhe fotos das modelos no seu Facebook, Instagram ou Twitter, indique pessoas que possam contribuir como por exemplo, aquele seu conhecido que tem um bar temático, apresente a PMM a ele, quem sabe rola uma parceria de locação para futuros ensaios, as meninas divulgam o local com fotos profissionais e elas ganham uma nova locação. Você pode fazer parte com gestos simples como estes.

Mulherada orgulho nacional!

11 de fevereiro de 2018



William Seyssel mais conhecido como Mr Ducktail é barbeiro desde a década de 80 e sua especialidade são cortes rockabilly.
Até aí, nenhuma novidade, certo? Errado. Mr Ducktail corta a cabeleira dos rockers com um canivete!

Eu pelo menos nunca ouvi falar de um barbeiro que corte cabelo assim.
Apesar de estar em Londres, ele não estudou na mesma escola de barbeiro de Sweeney Todd.

O lance com o canivete aconteceu por acaso, quando ele posou para uma matéria segurando um canivete. A foto despertou a curiosidade de um canal de TV e logo ele era o barbeiro do canivete. Foi chamado para cortar ao vivo e teve que aprender como fazer rapidamente. Cortou o próprio dedo no programa. Depois desse dia, aprendeu a utilizar o novo instrumento e acredita que é muito fácil.
Mas ele avisa: não usa canivete em cabelo muito curto, pode ser perigoso.



No começo da carreira, Mr Ducktail saiu da França e abriu seu salão o "Something Hells" em Londres, porque segundo ele lá não havia uma cena rockabilly, punk rock ou old school.  Hoje ele já tem uma filial do Something Hells também na França.
O salão é temático, vintage, com referências old school por todos os lados, assim como as barbearias retrôs por aqui.

Barbearia Something Hells em Londres

Antigamente as barbearias eram muito comuns em todos os cantos, com o tempo foram desaparecendo e agora  ressurgiram com esse novo comportamento dos homens de querer se cuidar mais. Além disso as barbearias são (e foram) um local para os homens socializar.

Muito antes desse boom de barbearias aqui no Brasil, Mr Ducktail já era uma celebridade na Europa. Ele está sempre em páginas de jornais e revistas mostrando seu salão, seu estilo de vida e seu jeito inusitado de cortar topetes.
Seu nome está em camisetas e roupas. Sua grife tem desenhos do ilustrador Sol Rac.
A música é sua grande inspiração e ele tem uma coluna que fala sobre o assunto na revista Kustom Magazine.

Coluna na revista Kustom Magazine


Sendo ele uma celebridade, atraí celebridades do mundo rockabilly:


Mr Ducktail com a modelo pin-up Bernie Dexter


Um vídeo mostrando o canivete de Mr Ducktail em ação:



Ok, chega de inovação na barbearia.

17 de janeiro de 2018



Wanda Jackson é considerada a rainha do rockabilly fez muito sucesso em meados dos anos 50 e 60 como uma das primeiras cantoras de rockabilly e uma das pioneiras do rock and roll.

Namorou Elvis Presley,  foi a primeira mulher a tocar guitarra num palco e dividiu um show com Little Richard. Isso tudo no final dos anos 50. Não é pra menos que ela é considerada a rainha do rockabilly.

Gravou 45 álbuns,  o último, Unfinished Business em 2012. O anterior a esse The Party Ain’t Over, foi produzido por Jack White da banda White Stripes onde Wanda canta covers de artistas variados como Bob Dylan, Elvis Presley e até Amy Winehouse.

Ela continua fazendo se apresentando, veja agenda aqui.

Pra quem não conhece as músicas dessa grande artista, recomendo ouvir no Spotify.

A Dica

Adoro usar camisetas das bandas/artistas que eu gosto e não encontrei nenhuma camiseta da Wanda Jackson à venda no Brasil 😞

No site gringo Vinil Bunker  encontrei essa estampa MARAVILHOSA 😍 por R$ 124,00* com frete.



Como eu disse não encontrei camisetas no Brasil mas achei esse quadro na Vudu! por R$ 56,60* (com frete região sudeste). Pra uma fã como eu, é um achado!



*Preços de jan/2018

Quem é a queen do rock, meu bem?